quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os Presidentes - parte II

"No Brasil, José Sarney concluiu seu mandato como presidente em 1990.
Presidiu metade do que veio a se chamar de “a década perdida”. Durante seu
governo foi promulgada a Constituição de 1988. Depois de ter feito toda a sua
vida política no Maranhão, em 1990 elegeu-se senador pelo Amapá e
conseguiu mais dois mandatos. No segundo turno da eleição presidencial de
2014, foi à seção eleitoral com um adesivo de Dilma Rousseff, do PT, no paletó
e votou em Aécio Neves, do PSDB. Explicou-se atribuindo o gesto à sua
gratidão a Tancredo.
Salvo os marechais, Costa e Silva e Castello Branco, todos os generais que
presidiram o Brasil viram o fim da ditadura.
João Baptista Figueiredo (1979-1985) morreu em 1999, aos 81 anos. Tendo
pedido que o esquecessem, saiu da vida pública. Deu sucessivos depoimentos
sobre episódios do seu governo. Geralmente foram contraditórios entre si e em
relação aos fatos. Dividiu seu tempo entre um sítio em Nogueira, no estado do
Rio, onde mantinha seus cavalos, e um apartamento em São Conrado. Em
2001, Dulce, sua viúva, vendeu em leilão 218 objetos que ele recebera
enquanto governava o país. Arrecadou cerca de 1 milhão de reais. Ela morreu
em 2011, aos 83 anos.
Ernesto Geisel (1974-1979) continuou na presidência do conselho da
Norquisa, empresa controladora do Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia.
Vivia com a mulher, Lucy, e a filha, Amália Lucy, num apartamento na rua
Barão da Torre, em Ipanema, e passava os fins de semana na casa de
Teresópolis. Esteve praticamente rompido com Figueiredo. Depois de apoiar
tacitamente a eleição de Tancredo, afastou-se da vida pública. Prestou um
extenso depoimento aos professores Celso Castro e Maria Celina D’Araujo.6
Morreu em 1996, aos 89 anos. Sua mulher morreu em 2000, num acidente
automobilístico. Amália Lucy, museóloga, doou ao CPDoc da Fundação Getulio
Vargas o arquivo de seu pai, e ao Patrimônio Histórico, os presentes que ele
recebeu durante a Presidência. Um precioso arcaz de sacristia colonial foi
examinado por peritos e revelou-se falso.7 Seu sobrinho, Augusto, morreu em
2000, aos 68 anos. Tendo sido filho do general Orlando Geisel, ministro do
Exército durante o governo Médici, e próximo ao tio presidente, foi um dos
mais inconspícuos parentes de poderosos. Tinha um curso de inglês em
Niterói e jamais se ouviu falar dele. Humberto Barreto, a quem Geisel estimava
como se fosse um filho, tornou-se presidente da empresa aérea TransBrasil,
extinta em 2002, e vive no Rio de Janeiro.
Ao deixar o governo, Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) foi morar em
Copacabana, na rua Júlio de Castilhos. Deu uma entrevista ao repórter
Antonio Carlos Scartezini — transformada no livro Segredos de Medici — e
nunca disse uma palavra a respeito da abertura política. Morreu em 1985, aos
79 anos, depois de ter sofrido um acidente vascular cerebral. Doou ao museu
de Bagé alguns de seus objetos pessoais, inclusive uma pedra trazida da Lua
por astronautas americanos. Sua viúva, Scylla, morreu em 2003, aos 95 anos.
Em toda a vida deu apenas uma entrevista, afirmando que o marido queria
revogar o AI-5. Seu filho Roberto, professor universitário aposentado, entregou
o pequeno arquivo do pai à guarda do Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro. Morreu em 2015.
Nenhum filho ou parente dos cinco generais fez carreira política."
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. P. 336-338.

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