quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

1984

"JANEIRO A Folha de S.Paulo começa a publicar a programação da campanha das Diretas. Só para janeiro anuncia vinte eventos. Leitão de Abreu prevê a derrota de Maluf no Colégio. Comício das Diretas em Curitiba. Grande comício das Diretas na praça da Sé, em São Paulo.
FEVEREIRO Comício em Belo Horizonte.
ABRIL Comício das Diretas no Rio. A multidão canta Caminhando, música proibida em 1968.
Comício no Anhangabaú, em São Paulo, o maior da história. No Brasil, estima-se que 4 milhões de pessoas já tenham ido às ruas pedindo eleições
diretas. Brasília é colocada sob o regime de medidas de emergência. Suspende-se
direito de reunião e impõe-se censura parcial à imprensa. O comandant
militar do Planalto, general Newton Cruz, bota sua tropa na rua e sai
montando um cavalo branco.
Numa sessão que durou dezessete horas, a Câmara rejeita a emenda Dante
de Oliveira. Tem 298 votos, mas faltam-lhe 22.
MAIO Antonio Carlos Magalhães diz a Tancredo que se Maluf ganhar a
convenção do PDS ele o apoia no Colégio Eleitoral.
A campanha das Diretas-Já transforma-se em Tancredo-Já.
Tancredo anuncia que disputará a Presidência.
A convenção do PDS escolhe Paulo Maluf. Derrotado, Andreazza não o
apoia, e Antonio Carlos Magalhães, seu principal articulador, embarca na
candidatura de Tancredo.
SETEMBRO Tancredo encontra-se com o ministro do Exército, general
Walter Pires.
OUTUBRO Tancredo diz que teme um golpe, “gesto inconsequente desse
general Newton Cruz”.
NOVEMBRO Tancredo é avisado de que o general Newton Cruz perderá o
comando da tropa de Brasília.
O Tribunal Superior Eleitoral decide que na eleição presidencial de janeiro
os delegados não estarão presos à fidelidade partidária. É o fim de Maluf.
DEZEMBRO Novo comício na praça da Sé. Festeja-se antecipadamente a
vitória de Tancredo. Na ponta do lápis, ele já tem maioria no Colégio Eleitoral.
O poderoso empresário Antonio Gallotti, um dos fundadores do IPÊS, na
noite do Réveillon: “É uma sorte que depois de vinte anos a gente saia dessa
com o Tancredo”."
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016

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