quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os expurgados de 1964

"Darcy Ribeiro (Casa Civil) foi para o Uruguai, retornou ao Brasil em 1968 e
acabou preso. Quando estava num quartel da Marinha, telefonou ao diretor
do Instituto do Patrimônio Histórico pedindo que cuidasse da restauração de
um portal do século XIX que via do camarote onde estava detido. Libertado,
exilou-se no Chile, onde colaborou com o presidente Salvador Allende. Em
1974, com um câncer de pulmão, foi-lhe permitido retornar ao Brasil.
Sobreviveu à doença e tornou-se vice-governador do Rio de Janeiro. Perdeu
uma eleição para governador e elegeu-se senador. Morreu em 1997, aos 74
anos.
Celso Furtado (Planejamento) deixou o Brasil e viveu no Chile, nos Estados
Unidos e na França. José Sarney nomeou-o embaixador da Comunidade
Europeia e, posteriormente, ministro da Cultura. Elegeu-se para a Academia
Brasileira de Letras e morreu em 2004, aos 84 anos.
Expedito Machado (Viação e Obras Públicas) e Oswaldo Lima Filho
(Agricultura) elegeram-se deputados federais depois da anistia. Wilson Fadul
(Saúde) disputou sem sucesso o governo de Mato Grosso do Sul e foi nomeado
vice-presidente do Banco do Estado do Rio de Janeiro.
(Araújo Castro, das Relações Exteriores, foi o único ministro de João
Goulart que permaneceu no serviço público, continuando uma bem-sucedida
carreira. Salvou-o da cassação o chanceler Vasco Leitão da Cunha, que
atenuou a fúria punitiva contra os quadros do Itamaraty. Foi discretamente
removido para a embaixada do Brasil na Grécia e, em 1968, tornou-se chefe da
representação do Brasil nas Nações Unidas. Em seguida, foi nomeado
embaixador em Washington, onde morreu em 1975, aos 56 anos. Estava no
posto durante a visita do presidente Médici aos Estados Unidos.)
Raul Ryff, influente secretário de imprensa de Jango, viveu no exílio até
1968. Ao retornar ao Brasil, voltou ao jornalismo, trabalhando como redator na
editoria Internacional do Jornal do Brasil. Nunca se afastou de João Goulart
nem recriminou seu governo. Morreu em 1989, aos 77 anos.
Depois da anistia, dois ministros de Jango filiaram-se ao partido do governo.
No governo Sarney, Abelardo Jurema (Justiça) foi diretor do BNDES e do
Instituto do Açúcar e do Álcool. Oliveira Brito (Minas e Energia) foi colocado
por Sarney na presidência da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco."

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