"Havia sonhos para tudo. Golbery e Petrônio Portella acreditavam
que o MDB se desintegraria.23 Ulysses Guimarães queria preservá-lo. À
esquerda, uma corrente tentava formar um partido socialista. Leonel Brizola
quis refundar o Partido Trabalhista Brasileiro, mas a deputada Ivete
Vargas
(combinada com Golbery) passou-lhe a perna, registrando a legenda. O MDB não se desintegrou, mas surgiu a terceira força, o Partido
Popular, liderado por Tancredo Neves. O reordenamento garantiu ao novo
Partido Democrático Social a maioria no Senado. Na Câmara, ficou a apenas
cinco votos de distância da maioria. A velha Arena perdeu 37 deputados,
enquanto o MDB teve 79 baldeações. Nos dois casos, a maior parte da migração
deu-se para o partido de Tancredo. Figueiredo via em Tancredo “o chefe do
partido de oposição moderada e independente”. Golbery não ia tão longe e
corrigiu: “O possível chefe”.24 A poderosa bancada esquerdista revelou-se
apenas um sonho. O Partido Democrático Trabalhista de Brizola juntou dez
deputados e o PTB de Ivete, quatro.25"
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016.
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