quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Os políticos

"Miguel Arraes, deposto do governo de Pernambuco em 1964, retornou ao
palácio pelo voto. Depois de catorze anos de exílio vividos na Argélia, elegeu-se
deputado federal em 1982. Em 1987, aos setenta anos, voltou ao palácio do
Campo das Princesas, de onde os militares o tiraram na tarde de 1o de abril. Foi
eleito novamente em 1994, pelo Partido Socialista. Morreu em 2005. Arraes foi
o único político deposto em 1964 que deixou uma duradoura base política. Seu
neto, Eduardo Campos, governou Pernambuco e disputava a Presidência da
República em 2014 quando morreu num acidente aéreo. Leonel Brizola, que
governara o Rio Grande do Sul e fora cassado quando era deputado pelo estado
da Guanabara, elegeu-se governador do Rio de Janeiro em 1982 e em 1990.
Candidato à Presidência da República em 1989, não conseguiu chegar ao
segundo turno, derrotado por Fernando Collor e Lula, a quem chamaria de
“sapo barbudo”. Em 1994 foi candidato a presidente e ficou em quinto lugar.
Quatro anos depois disputou a Vice-Presidência na chapa encabeçada por
Lula e derrotada por Fernando Henrique Cardoso. Morreu em 2004, aos 82
anos.
(...)
Paulo Maluf disputou sem sucesso o governo de São Paulo em 1986 e
elegeu-se prefeito da capital em 1992. Voltou quatro vezes para a Câmara
Federal. Ficou preso durante 41 dias em 2005. Por solicitação do governo dos
Estados Unidos, seu nome está entre os procurados pela Interpol. Um estudo
do Banco Mundial listou-o como um exemplo de caso internacional de
corrupção. Foi acusado de ter internado 200 milhões de dólares no paraíso
fiscal da ilha de Jersey, no Canal da Mancha. É o mais destacado político civil
formado na ditadura com assento no Congresso. Na eleição municipal de São
Paulo de 2012 apoiou o candidato petista Fernando Haddad.
José Maria Marin, vice-governador eleito indiretamente na chapa de Maluf,
governou São Paulo de maio de 1982 a março de 1983. Em 1986 e 2002
disputou sem sucesso uma cadeira de senador. Em 2012, tornou-se presidente
da Confederação Brasileira de Futebol. Três anos depois, foi preso na Suíça e
extraditado para os Estados Unidos, onde, em 2015, foi colocado em prisão
domiciliar enquanto responde a um processo por corrupção e lavagem de
dinheiro.
O almirante Faria Lima, que administrou a fusão dos estados do Rio de
Janeiro e da Guanabara, deixou a vida pública e morreu em 2011, aos 93 anos.
Não se sabe o rumo que tomou a caixa em que guardava as interceptações
telefônicas que coordenou na crise de 1961, quando servia com Geisel na Casa
Militar da Presidência.
O ex-governador mineiro Aureliano Chaves ficou no Ministério de Minas e
Energia durante o governo de Sarney. Foi candidato a presidente em 1989 e
teve votação desprezível. Retirou-se da vida pública, mas, em 2002, como
crítico das privatizações ocorridas durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso, apoiou a candidatura de Lula. Morreu aos 74 anos, em 2003.
(...)
Antonio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações de Sarney, não
conseguiu eleger seu candidato em 1986, mas prevaleceu quatro anos depois,
voltando ao governo e restabelecendo o poder do “carlismo” no estado da
Bahia. Em 1994 elegeu-se senador. Em 2001, renunciou ao mandato por ter
violado o painel eletrônico de votações. Morreu em 2007, aos 79 anos. Antonio
Carlos Junior, seu filho e suplente, assumiu a cadeira. Luís Eduardo, seu outro
filho, chegou à presidência da Câmara e era um possível candidato a
presidente da República, quando morreu de enfarte, aos 43 anos, em 1998.
Antonio Carlos Magalhães Neto (filho de Junior) tornou-se seu herdeiro
político e por três vezes elegeu-se deputado federal. Em 2012 elegeu-se
prefeito de Salvador.
(...)
No Maranhão, Roseana Sarney, filha do presidente, conseguiu quatro
mandatos de governadora, dois pelo PMDB. Em Sergipe e no Ceará, elegeramse
Albano Franco e Lúcio Alcântara, filhos dos ex-governadores Augusto Franco
e Waldemar Alcântara. No Rio Grande do Norte, José Agripino Maia, filho do
governador Tarcísio Maia (1975-1979) e primo em segundo grau do governador
Lavoisier Maia (1979-1983), elegeu-se em 1982 e 1990.
Marco Maciel, indicado governador de Pernambuco por Geisel em 1978, foi
escolhido para o Ministério da Educação por Tancredo e remanejado por
Sarney, um ano depois, para a chefia do Gabinete Civil. Elegeu-se três vezes
para o Senado. Foi líder da bancada do governo de Fernando Collor e por duas
vezes foi eleito para a Vice-Presidência da República na chapa de Fernando
Henrique Cardoso."
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. P. 350-353


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