"Orestes Quércia elegeu-se governador de São Paulo em 1986 e fez seu sucessor. Depois disso perdeu todas as eleições que disputou. Em 2010, quando morreu, tinha um patrimônio declarado de 117 milhões de reais.15
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A política brasileira renovou-se decisivamente depois das eleições de 1982, que refletiram as consequências da anistia. Franco Montoro assumiu o governo de São Paulo e, deixando o cargo, elegeu-se deputado federal em 1994. Reeleito em 1998, morreu em 1999, no exercício do mandato.
Mário Covas, cassado em 1968, elegeu-se deputado federal, foi nomeado prefeito de São Paulo e tornou-se o senador mais votado da eleição de 1986. Governou o estado paulista com dois mandatos, de 1995 a 2001, quando um câncer afastou-o do cargo. Morreu em 2001. Rompidos com o então governador Orestes Quércia, Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Covas e José Serra abandonaram o PMDB, fundando o PSDB. O ciclo iniciado em 1983 com a posse de Montoro deu ao PMDB-PSDB de São Paulo 35 anos de poder,período só comparável ao do Partido Republicano durante a República Velha. Geraldo Alckmin, o vice-governador que assumiu no lugar de Covas, tornou-se o paulista que por mais tempo ocupou o cargo.
José Serra, secretário de Planejamento de Montoro, elegeu-se deputado federal em 1986. O ex-presidente da UNE, que se exilara na Bolívia, no Chile e nos Estados Unidos, tornou-se ministro do Planejamento e da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi prefeito e governador de São Paulo. Elegeu-se duas vezes para o Senado, a última em 2014. Concorreu duas vezes à Presidência, sem sucesso.
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Ulysses Guimarães tornou-se por poucos anos o político mais influente do país. Promulgou a Constituição de 1988 e manteve uma forte e conflituosa ascendência sobre o governo de Sarney. Candidatou-se à Presidência da República em 1989, mas a associação de seu nome a um governo ruinoso deixou-o com apenas 4,7% dos votos na eleição vencida por Fernando Collor. Como deputado, juntou seu prestígio à campanha pelo impedimento do jovem presidente. Morreu em 1992, aos 76 anos, num desastre de helicóptero. Estava com a mulher, Mora. Seu corpo nunca foi encontrado."
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016. P. 354-356.


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