terça-feira, 31 de janeiro de 2017
1980
"GEISEL, GOLBERY E FIGUEIREDO
FEVEREIRO De Teresópolis, Geisel remete a Heitor Ferreira um documento
que lhe foi enviado, com a observação: “Não sabem ainda que o Figueiredo é o
presidente”.
Diante do boato de que o senador Paulo Brossard poderia ser nomeado para
o STF, Golbery responde: “Eu, hein? Mas não seria tão ruim assim…”.
ABRIL Golbery, o general Octavio Medeiros e Heitor Ferreira acertam um
plano para blindar Figueiredo e suas explosões emocionais.
O general Milton Tavares de Souza, comandante do II Exército, suspeita
que Golbery e Lula tenham canais secretos de comunicação.
MAIO Guilherme Figueiredo briga com seu irmão. Ele insinua que o general
Octavio Medeiros, chefe do SNI, é candidato a presidente.
Golbery e Octavio Medeiros distanciam-se.
JUNHO Geisel deixa seu retiro de Teresópolis e aceita a presidência da
Norquisa, um conglomerado de empresas do setor petroquímico do Polo de
Camaçari (BA).
JULHO Golbery faz uma palestra na Escola Superior de Guerra e expõe a
estratégia da abertura, com pares de ações, ora contra a esquerda, ora contra
a direita.
Chega a Golbery uma carta de um policial endereçada a Figueiredo
identificando o automóvel do qual saiu a pessoa que botou uma bomba numa
banca de jornal de Campinho, no Rio. O automóvel pertencia ao DOI do I
Exército. A denúncia foi para o arquivo.
OUTUBRO Figueiredo vai ao Chile. Entre os assessores de Pinochet está o
coronel Sergio Arredondo, que foi adido em Brasília e em 1973 participou da
“Caravana da Morte”, assassinando presos políticos. Ambos tornaram-se
amigos durante cavalgadas em Brasília.
DEZEMBRO A revista O Cruzeiro, dirigida por Alexandre von Baumgarten,
traz um artigo acusando Golbery de ter desmontado a máquina partidária do
governo. O general, que sabia das ligações de Baumgarten com o SNI, anota:
“Muy amigo…”.
Comentando a operação de pontes de safena do ministro do Exército,
general Walter Pires, Figueiredo diz: “Eu mesmo também estou todo
entupido”.
POLÍTICA
No ano, explodem pelo menos 24 bombas em diversas cidades. Bancas de
jornal continuam sendo atacadas.
JANEIRO Em sua primeira Apreciação Semanal, o SNI diz que o ano começa
com uma “expectativa pessimista”.
O governo anuncia que concluiu um acordo nuclear com o Iraque.
Morre Petrônio Portella.
FEVEREIRO Fundado o Partido dos Trabalhadores.
MARÇO Militares argentinos sequestram no Rio Horacio Campiglia e Mónica
Susana Pinus de Binstock. Têm a ajuda de oficiais do CIE.
O SNI faz uma Apreciação Semanal listando 63 problemas, quase todos
insolúveis, e um assessor de Figueiredo comenta: “Esses caras estão com bosta
na cabeça?”.
ABRIL O chefe da seção de operações do DOI do Rio recebe uma proposta de
atentado contra o show programado para o Riocentro no dia 1o de maio.
Recusa-a.
Diante das dificuldades econômicas, Tancredo Neves propõe a formação de
um “governo de união nacional”. A proposta é repelida.
Greve no ABC. O governo intervém no Sindicato dos Metalúrgicos e prende
Lula.
JUNHO O papa João Paulo II visita o Brasil.
Desaparecem em Uruguaiana (RS) os montoneros argentinos Lorenzo
Viñas e Jorge Adur.
JULHO Um grupo de intelectuais reúne-se em São Bernardo com Lula.
Formam-se duas correntes. Uma, liderada por Fernando Henrique Cardoso,
quer ficar no PMDB. A de Lula segue com o PT.
AGOSTO Uma carta-bomba mata Lyda Monteiro da Silva, secretária do
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil. É o primeiro caso de atentado
letal do surto terrorista de direita. Outra bomba mutila um funcionário da
Câmara Municipal do Rio. Figueiredo discursa pedindo que joguem as bombas
contra ele e promete investigar.
Ao perceber que seria preso, um casal de jovens argentinos toma cianureto
e morre numa barca que ia de Porto Meira para Puerto Iguazú."
GASPARI, Elio. A Ditadura Acabada. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2016.
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